A jornada de um livro

Conversamos com Chico Bretanha (Guitarrista e Produtor Cultural), sobre o processo de produção do livro “História de um Bom Fim”.

O livro “Histórias de um Bom Fim” foi a primeira produção dele ligada ao mundo da literatura. O livro escrito pelo historiador Lucio Fernandes Pedroso, tem como personagem central o famoso bairro Boêmio de Porto Alegre, e foi publicado em edição independente com recursos do Fumproarte.

Chico Bretanha, Jornalista, Produtor Cultural e Músico.

Chico Bretanha é jornalista, músico e produtor. Atua com serviços, produtos culturais e artísticos desde 1996. No gerenciamento de carreiras, booking e produção executiva de shows, álbuns, tours e projetos, trabalha com bandas e artistas como Império da Lã, Carlinhos Carneiro, Cartolas, Gaby Ferreira & Banda Polainas e mais diversos nomes como Bidê ou Balde, Ultramen, Coração de Búfalo, Tchê Gomes, Comunidade Nin-Jitsu, Cachorro Grande, Graforréia Xilarmônica, Mallu Magalhães, Vera Loca, Dingo Bells, Tonho Crocco, Bife Simples, Groove James, Acústicos & Valvulados, Pública, Deluce, Guri Assis Brasil, entre outros, numa carreira de sucesso criada através de uma rede de parcerias construída com credibilidade e profissionalismo ao longo dos anos. Como músico é fundador da Groove James, animou muitos bailes com a Banda Borracharia, se inspirou tocando na instrumental Quarteto Diminuto e hoje também se diverte no Império da Lã e com o trio Só Amor, ao lado dos comparsas Carlinhos Carneiro e Flávio “Flu” Santos.

Essa transição das produções ligadas ao universo da música para o mundo da literatura nos chamou a atenção, e por isso fomos bater um papo com ele. Para saber um pouco mais sobre como foi essa experência, e o que jovens escritores tem a aprender com quem produziu um livro que é sucesso de público e crítica.

“Histórias de um Bom Fim”, escrito por Lucio Fernandes Pedroso.

TUM CULT – Em um mundo tão voltado para o digital, para o virtual, o que fez você pensar em investir o seu tempo como Produtor Executivo, em um projeto de um livro físico de um autor estreante? Os livros físicos ainda tem espaço?

Chico Bretanha – Ainda percebo o livro físico como uma paixão forte para quem tem o hábito da leitura. Seus formatos, visuais, texturas e até cheiros têm poder de persuasão e atração sobre os leitores. É como se fosse uma eterna “volta do vinil”, o formato impresso do Livro é histórico, e isso me atraiu no projeto do Lucio, um historiador e autor estreante com um documento acadêmico sobre um bairro icônico até mesmo para o Brasil. O desafio de adaptarmos o texto e materializar o projeto para um produto que serve de referência às próximas gerações me encantou.

Lucio Fernandes Pedroso, autor do livro que já virou um clássico: “História de um Bom Fim”

TUM CULT – Como foi produzir um livro sem nunca ter uma editora previamente? Qual foi o caminho adotado por vocês para viabilizar a publicação?

Chico Bretanha – Minha experiência com produtos culturais até então era na área da música (álbuns, CDs, LPs, DVDs, videoclipes e shows).
Quando o Lucio me convidou para o projeto, eu já estava acostumado a trabalhar alguns lançamentos musicais de forma independente, porém, com um livro é mais difícil fazer parceria com gráfica do que com estúdios, o que tornava mais necessário ainda conseguirmos uma verba. Foi quando focamos nos editais públicos. Montamos um projeto com a tese de doutorado do Lucio como texto base e fomos contemplados no Fumproarte da Prefeitura de Porto Alegre em 2016.
Porém, por questões burocráticas só nos liberaram o recurso em 2019, e tivemos que montar um cronograma e planejamento enxuto para conseguirmos lançar o “História de Um Bom Fim” na Feira do Livro de Porto Alegre em novembro de 2019. De resto contratamos uma empresa para fazer a capa e layout do Livro, um revisor de texto, uma ilustradora para o Mapa que vem encartado na edição, um fotógrafo e uma Assessoria de Imprensa e redes sociais. Fui gerenciando a equipe, de olho nos prazos enquanto o Lucio mexia no texto.
Deu tudo certo.
O livro foi um dos mais vendidos na sua categoria na Feira, com excelente repercussão de público e crítica. A parte de produção executiva se assemelha em muito com a de um disco, só troca o produto artístico.

TUM CULT – Qual seria o conselho que você daria para alguém que gostaria de estrear no mundo da literatura?

Chico Bretanha – Sugiro usarem seu talento e paixão pelas letras como motor para a transpiração, repetir, repetir e repetir. Práticar é o melhor hábito para um artista.
Hoje em dia você pode publicar seus primeiros textos, crônicas, poemas, etc na internet. Crie e cultive um perfil nas redes até mesmo como laboratório do seu processo criativo, verificando a reação do público e angariar leitores.
Com isso, fica um pouco mais fácil um possível financiamento coletivo para os planos de um livro impresso se esse for o desejo. Mas lembre-se, você deve ser a primeira pessoa a investir e acreditar na sua arte, sem esse exemplo, ninguém comprará sua ideia.
Com verba na mão, separe uma boa parte para divulgação e distribuição. Não adianta um impresso bonito se ele ficará anos dentro de caixas.

TUM CULT – Você também é músico, como você vê essa conexão entre música e literatura?

Chico Bretanha – Acho que tanto uma quanto outra têm em comum o poder da narrativa, de contar e repassar histórias, sonhos, delírios e verdades para as pessoas.
Ouvindo uma música ou lendo um livro, a gente imagina as cenas e sente as emoções do que está sendo contado.
Não se falando de som instrumental, de resto todas as músicas são de alguma forma peças literárias, algumas verdadeiras epopéias, outras singelas como um soneto.

TUM CULT – Como as pessoas podem adquirir o livro “Histórias de um Bom Fim”?

Chico Bretanha – O livro pode ser encontrado em algumas livrarias de Porto Alegre, ou então através das redes sociais do livro, onde basta você enviar uma mensagem e realizar a compra. Aqui vai o link: www.facebook.com/Historia.de.um.Bom.Fim.