Coluna do Binho – Produção Musical

Música durante a pandemia: reflexões e o que esperar de 2021?

Se até pouco tempo atrás nós íamos em shows e grandes eventos, neste ano, os artistas entraram nas nossas casas e permitiram que pudéssemos apreciá-los de uma maneira diferente. As aglomerações foram suspensas e as salas viraram palcos para que as transmissões ao vivo (as ditas “lives”) fossem o novo convite para entrar e assistir essas apresentações artísticas. A intimidade deixou de ser evitada para se tornar algo inusitado, um elemento surpresa. A internet se tornou a ponte para atravessarmos juntos o período de crise e de incertezas sobre o futuro, e tem sido assim até agora. De uma hora pra outra tudo mudou, e estar junto dos amigos para curtir uma boa música ainda não é uma realidade.

Com bastante improviso e poucas certezas, as lives se tornaram comuns durante a pandemia e viraram uma ferramenta viável para que músicos e artistas pudessem continuar criando, produzindo e compartilhando os seus trabalhos, mesmo transitando em um universo novo e imprevisível, sem saber se do outro lado havia uma audiência que os aplaudissem ou os vaiassem. Para um artista, é como subir em um palco totalmente nú e com uma venda nos olhos. As lives caseiras trouxeram vulnerabilidade ao artista, e os obrigou a aprender um pouco mais sobre como “tirar o melhor som” para que o público pudesse curtir um show com qualidade, os levou a aprender sobre enquadramento, cenário e iluminação, para valorizar a aprensentação, além tantas outras coisas…

O que esperar de 2021?


Mas tem um lado legal disso! Poder ver o artista sem tanta maquiagem, sem aquela megaprodução, e desta forma conseguimos perceber melhor a sua essência. Mesmo com aquela camiseta simples e um piano desafinado na sala, ainda está fazendo uma coisa que a gente curte, arte! Eu tenho curtido muitas coisas interessantes que a gente só veria em um grande espetáculo, ou pagando muitos dólares.

As lives foram a primeira alternativa adotada desde o início da pandemia, e será que vai perdurar após esse período? Ainda é cedo para avaliar o que vai virar tendência e o que vai ser descartado. Acredito que um mercado das lives poderá se consolidar, com apoiadores, etc. Vejo a possibilidade de alguns canais de televisão ou uma emissoras de rádio transmitirem apresentações, bate papos e lançamentos de trabalhos artísticos locais por exemplo, fortalecendo assim uma cena musical de uma região ou esta e criando meios de remuneração à estes artistas, afinal, precisamos achar formas de monetizar com o nosso trabalho. O universo da arte e da música não são baseados apenas na produção, mas também na distribuição e nas formas de comunicação entre o artista e o seu público, e o surgimento de novos ambientes digitais e novas ferramentas para poder mostrar o nosso trabalho são sempre bem vindas. As coisas não voltarão extamente como antes mas devemos seguir em frente, aprimorarando o que foi desenvolvido nesse período e buscando entender como as coisas tem funcionado, traçando relações entre todos os pilares que sustentam a arte para podermos criar e produzir algo com criatividade e verdade. Tenho certeza que ali na frente nós veremos coisas incríveis que nasceram neste período de incertezas e que nos tirou da nossa zona de conforto.

Até a próxima e nos encontramos em alguma live por aí!